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Como administrar pessoas difíceis (parte II)

Passaram-se oito dias: você já definiu sua resposta ? Ouça, então, esta história real, que presenciei.

Publicada em: 10/03/2008



Passaram-se oito dias: você já definiu sua resposta ?

Ouça, então, esta história real, que presenciei: Era um início de noite, a festa familiar estava começando, os convidados chegavam em casais, algumas mesas já ocupadas eram servidas pelos garçons, enquanto um pequeno grupo se formava, na entrada do amplo jardim, em torno do tio Jeová, figura agradável, simpática e alegre. Mais um casal chegava, aproximando-se para os cumprimentos, quando, de modo súbito e inesperado, surge tia Irene dirigindo-se pelo nome àquele jovem marido: “Então, o senhor já abandonou o triste hábito de espancar esta pobre esposa ?”.

Às crianças, aos loucos e aos animais permitimos que adotem códigos de comunicação nos quais uma intuição particular a respeito da sinceridade é a característica principal. Infelizmente algumas pessoas adultas, aparentemente normais nos demais aspectos do convívio grupal, adotam padrões assincrônicos de comunicação, nos quais os pensamentos mais íntimos fluem livremente para a esfera da manifestação verbal, sem que sejam submetidos a uma avaliação crítica prévia. Tais personagens são, portanto, capazes de causar grandes ruídos nos ambientes sociais, familiares e profissionais em que estão inseridos, e com o passar do tempo “conquistam” uma reputação muito negativa, passando a ser discriminados, evitados e perseguidos; tornando-se vítimas de si mesmos.

É claro que a evolução desenhou os membros da espécie humana de maneira a priorizarem os interesses pessoais, porém ao mesmo tempo o instinto de cooperação também foi aperfeiçoado ao longo de nossa existência evolutiva, pois muitas de nossas experiências ancestrais consolidaram a consciência geneticamente determinada de que várias de nossas necessidades individuais são melhor e mais facilmente conquistadas através da ação grupal. Todavia, por algum mecanismo desconhecido alguns seres humanos, adotam padrões comportamentais excessivamente egoístas, claramente anti-sociais, esquecendo-se do fato de que nas relações grupais os benefícios precisam ser mútuos.

Um escritor conhecido, de personalidade sabidamente difícil, afirmou “de nada sei, mas de tudo desconfio!”. Há pessoas normais que têm a desconfiança como um traço de sua personalidade, geralmente pelo temor de se deixarem “levar na conversa”, mas que após uma fase de averiguação inicial dão ao outro um crédito de confiança. Tal impulso é muito importante, pois evita que se deixem enganar na compra de um imóvel, na contratação de um seguro ou de um plano de previdência privada. Por outro lado, há pessoas que são desconfiadas durante todo o tempo, sendo que jamais confiam em qualquer indivíduo, por mais bem intencionado que seja. Estas pessoas, mal adaptadas, não conseguem construir amizades duradouras, não concluem negociações harmoniosas, vivem envolvidas em conflitos judiciais com ex-esposas, vizinhos, sócios, parentes, etc. Causando dores, sofrimentos, tensões e isolamentos para si e para aqueles que estão em volta, elas são “pessoas difíceis”.

As pessoas difíceis são como a chuva: aparecem quando menos esperamos, criam grande perturbação, e não ligam para nossa revolta. Assim, devemos estar preparados para enfrentá-las sem sofrimentos mútuos. Frutos de uma mistura explosiva de herança genética e cultura comportamental adquirida, as pessoas difíceis geralmente têm consciência dos transtornos que causam para si e para os outros (afinal, ninguém faz a escolha de ser o tempo todo desconfiado, ansioso ou agressivo ...) mas não conseguem modificar seus impulsos.

Ao mesmo tempo a comunicação é condição primordial da existência humana e do convívio social, sendo que desde o início da espécie estamos envolvidos na aquisição e no aperfeiçoamento das regras de interação grupal, e aqueles que conseguirem estabelecer conexões mais produtivas com os membros “difíceis” de nossa espécie estarão seguramente melhor aparelhados para a sobrevivência na selva urbana moderna.

Você é uma pessoa difícil? Na parte III deste texto você saberá como descobrir ...

Cmo administar pessoas difíceis (parte I)
Como administrar pessoas difíceis (parte III)


José Cerqueira Dantas



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