Tire suas dúvidas

Parece que tenho uma vida sem objetivos. Isso é péssimo. Estou muito cansada

Pensando em esclarecer suas dúvidas sobre questões médicas, criamos a seção Tire suas dúvidas.

Quarta-feira, 10 de Agosto de 2016

Pergunta

Olá.
Tô num momento da vida que não sinto prazer em quase nada. Faço uma faculdade que não gosto (apesar de gostar da profissão), mas não suporto estar dentro da sala de aula estudando teorias etc. Acordo cedo com vontade de ficar na cama e não sair nunca. Odeio faculdade, porque é um lugar onde ter opinião é fundamental, e discussões são frequentes. Mas eu nunca tenho nada pra compartilhar, me sinto burra, incapaz as vezes. Odeio apresentações tbm, fico sempre nervosa e piro com isso. Chego a ter insônia dias antes, no dia fico trêmula, boca seca, dor no estômago, perco a fome, etc. É horrível. Sou esforçada e sempre fui, mas isso não é o suficiente. Quando tenho uma apresentação, por exemplo, estudo dias antes o que vou falar, e me saio mal. Outros amigos lêem em 20 minutos e falam MUITO melhor que eu. Tenho 20 anos, e me sinto uma pessoa morna. Que não tem hobbies, prazeres, sentimentos. Vejo as pessoas ao meu redor, da minha idade falando sobre sonhos, artistas, livros, amores, etc e eu não tenho nada pra contar, não gosto de nada. Nunca namorei, e acredito ter muuita dificuldade para entrar num relacionamento, porque eu não me amo, então como vou amar alguém? Moro numa cidade diferente dos meus pais (devido aos estudos), mas sinto muita falta da convivência de casa, porque eu era e sempre fui muito apegada a eles. Sempre sinto vontade de ir pra casa, de estar com eles, me sinto mais "protegida" não sei... Sinto muitas saudades... Mas por outro lado, não consigo expressar amor por eles, não sei abraçar, beijar. Dizer eu te amo é uma tortura. Me sinto mal com isso. Isso acontece com amigos também. Alguns dizem que sou fria demais... Me acho muito estranha por não sentir emoções, amor, ódio, sei la. Só me sinto triste e vazia. O tempo todo. Meus pais sempre me levavam na igreja, desde nova. Frequento ate hj (bem menos), mas não consigo sentir o que as pessoas sentem la, a "presença de Deus". É estranho... 

Gosto do lugar que trabalho, embora não receber o suficiente... Mas me considero uma pessoa muito esforçada lá, faço de tudo e mais um pouco pelo trabalho. Se alguém fala alguma coisa ruim de mim, ou que fiz algo errado, fico muito (MUITO) chateada, a ponto de chorar em casa depois, mas logo passa. Também sinto uma vontade enorme de ajudar as pessoas. As vezes me sacrifico um pouco pra isso. Talvez essa vontade seja uma necessidade minha das pessoas gostarem de mim, ou retribuirem de alguma forma.

Resumindo, gostaria de ser uma pessoa normal, com sonhos, prazeres, histórias pra compartilhar, com amigos verdadeiros. Mas não consigo. Minha vida é sempre a mesma coisa, estou cansada de tentar forçar estar sempre feliz e de bem. Parece que tenho uma vida sem objetivos. Isso é péssimo. Estou muito cansada. Nao sei se é depressão, ou sei lá que. Mas me sinto como se fosse uma estátua, vazia, superficial. Preciso de ajuda, eu sei. Mas parece que não tem ninguém pra me ajudar. Não quero estar assim.

Resposta

Na sociedade urbana atual, ter vinte anos de idade é uma fonte de enorme desconforto, isolamento e grande sofrimento existencial. É a porta de entrada para a vida adulta, as cobranças e a inserção no mercado de trabalho. Enfim, todos os desafios a serem enfrentados de uma só vez. Ainda por cima, estando longe de casa, suportando o vazio estupido do ambiente universitário, trabalhando por baixo salário!! Conheço bem sua experiência, pois vivi um cenário muito semelhante quando tinha sua idade. Sentir-se burro, isolado, estressado e sem referenciais afetivos é a norma de vida para todos da sua idade e nas suas circunstâncias, principalmente sendo uma mulher, nessa sociedade que continua sendo muito preconceituosa e machista. A solução para algumas pessoas na sua situação tem sido a religião, para outras a opção é se escravizar ao grupo da gandaia (sexo, álcool e balada), enquanto outras se ligam na fuga pelas drogas. Há ainda o grupo dos que apostam no sonho de sucesso profissional futuro, considerando que o momento atual é um sacrifício a vencer para conquistar independência e reconhecimento. Quando vivi essa fase, pela qual você está passando agora, também morando em cidade que não era a minha, houve momentos nos quais pensei em voltar pra casa, mas logo vi que seria um sofrimento maior e resolvi buscar forças na leitura e na prática de esportes (corrida, natação, xadrez, etc). Quando não estava estudando, trabalhando ou dormindo, minha mente estava ocupada em atividades físicas. Assim consegui equilibrar a barra, construindo uma base sobre a qual moldei história existencial. Foi duro, muito duro. E as cicatrizes que guardei ainda hoje me queimam a alma. 

Não se violente, imagino que para uma mulher o desafio se apresenta muito pesado, pois vocês, mulheres, são muito mais sensíveis e carentes que os homens. Se a barra estiver muito pesada vá passar uns tempos em casa dos pais, lambendo as feridas, se conhecendo melhor, definindo quais são mesmo seus desejos, para depois recomeçar sua caminhada rumo ao futuro, rumo à maturidade. Não se iluda alimentando a ideia de que alguém vai pegar tua mão, te conduzindo pelos tortuosos caminhos da vida, pois isso não existe. Essa batalha é solitária e primeiro tem que ser vencida dentro de você. Não se deixe cair no time dos perdedores. Não tenha medo das derrotas, dos erros, dos ridículos, nem dos que lhe estão em volta. Eles também convivem com seus fantasmas pessoais, embora disfarcem melhor que você. Todos da sua geração estão vivendo tempos difíceis, nessa era de incertezas. Escolha seus escudos e vá à luta. Sempre foi assim e sempre será. Você não têm escolhas, a não ser lutar. Continuamos na selva, que agora é urbana, numa luta de todos contra todos. Faça suas alianças.

Diretoria Médica
Edição: F.C.

Comentários
valdirene de lima, Sexta-feira, 09 de Dezembro de 2016:

o que siguinfica hiperconcentraçao focal do radiofârmaco em grau discreto nos ombros e no joelho esquerdo

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