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OBESIDADE


Sete em cada dez 'millennials' terão sobrepeso na meia idade, diz análise

Será a geração com maior número de pessoas gordas na História, diz instituto britânico.

Publicada em: 27/02/2018



A geração dos “millennials”, formada por pessoas que nasceram entre o início dos anos 1980 e meados da década seguinte, está no caminho para se tornar o grupo com maior incidência de sobrepeso da História. Sete em cada dez de seus representantes devem chegar à meia-idade com o peso acima do ideal, segundo uma pesquisa realizada no Reino Unido pela organização Cancer Research UK. Diversas análises, porém, ressaltam que a luta contra a balança entre os jovens é um fenômeno global.

O levantamento demonstra um salto em relação ao índice de sobrepeso constatado entre os “baby boomers” — as pessoas nascidas logo após a Segunda Guerra Mundial. Cinco em cada dez integrantes dessa geração chegaram à meia-idade acima do peso ideal.

Professor de Endocrinologia da PUC-Rio, Walmir Coutinho alerta que o registro dos índices de sobrepeso e obesidade cresce progressivamente a cada geração. Os principais fatores estão ligados ao sedentarismo e ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.

Outro motivo de preocupação é o aumento do tempo de tela, como é chamado o período em que crianças e adolescentes assistem à televisão, jogam videogame e usam o smartphone e o computador. Recomenda-se que essas atividades sejam limitadas a, no máximo, duas horas diárias.

Aumento do ‘tempo de tela’

No entanto, levantamento internacional elaborado em 2015 mostra que, no Brasil, crianças de 10 anos gastam, em média, até 3,7 horas por dia com esses dispositivos. Trata-se do maior resultado entre os 12 países investigados — a análise incluiu nações emergentes, como a China, e outras desenvolvidas, como EUA, Canadá e Reino Unido.

— Precisamos dar mecanismos para que as pessoas mudem seu comportamento — explica Coutinho. — Não basta organizar uma campanha condenando o sedentarismo. O que adianta conscientizar os adolescentes se eles vivem em uma cidade violenta como o Rio, onde não se sentem seguros para fazer exercícios como andar de bicicleta até a escola ou jogar futebol na rua?

Coutinho também defende “medidas radicais” para impor uma dieta equilibrada, como aumentar a taxação sobre refrigerantes e alimentos que engordam. Com o dinheiro obtido por meio dessa iniciativa, seria possível subsidiar frutas e vegetais. O endocrinologista calcula que, quando o preço é reduzido, o consumo aumenta.

Para Ricardo Meirelles, diretor do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), os “millennials” nasceram num período em que “a lanchonete já é vista como um local ideal para alimentação”.

— Os jovens podem até saber que a comida faz mal, mas muitas vezes são tão hedonistas que acabam privilegiando o prazer à saúde. Somos muito mais incentivados a ter uma alimentação errada do que a fazer exercícios físicos — lamenta.

O sobrepeso na idade adulta pode causar 13 tipos diferentes de câncer, entre eles os cânceres de mama, intestino e rim. Informações da Organização Mundial de Saúde mostram que o sobrepeso é o segundo maior fator de risco para câncer, ficando atrás apenas do tabagismo.

Segundo o diretor do Iede, ainda é cedo para afirmar se a expectativa de vida dos “millennials” será menor do que a de seus pais:

— Os avanços da medicina podem contrabalançar os efeitos do sedentarismo e da obesidade. Mas a qualidade de vida será cada vez mais questionável, porque permanecerão mazelas como problemas articulares, desequilíbrio do sono e câncer.


Fonte: O Globo
Edição: F.C.



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