Home / Notícias / Guia orienta médicos de UTIs sobre ortotanásia
Recomendações

Guia orienta médicos de UTIs sobre ortotanásia

O documento, voltado para médicos que trabalham em UTI, ajuda a reconhecer momento de "suspender esforços" e concentrar a atenção no conforto do paciente.
Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
Foto: Divulgação
Pesquisa publicada na revista da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) revela que mais de 90% dos profissionais que atuam em UTIs já praticaram ortotanásia, ou seja, limitaram ou suspenderam o tratamento de um paciente terminal. Agora, com base nos resultados desse estudo, a entidade divulga recomendações sobre como devem ser os cuidados finais a esses doentes nos hospitais.

A ortotanásia foi regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2006, mas a norma entrou em vigor apenas no fim do ano passado. A resolução determina que, para limitar ou interromper o tratamento, o médico precisa ter a anuência do doente ou, se este for incapaz, de seus familiares. Ao contrário do que ocorre na eutanásia, não há indução da morte.

Ederlon Rezende, presidente da Amib, afirma que é necessário treinar os profissionais que trabalham nas UTIs para que eles saibam reconhecer o momento de suspender os esforços terapêuticos. "Esse assunto não é novidade para especialistas em medicina intensiva. Mas apenas 4 mil dos 20 mil médicos que trabalham em UTIs têm essa formação", conta.

Segundo Rezende, o erro mais comum das equipes é insistir em terapias "inúteis ou fúteis", que adiam a morte, mas são incapazes de evitá-la. Desde a última revisão do Código de Ética Médica, em 2010, essa atitude passou a ser considerada uma infração ética. O recomendado para esses casos é a adoção de cuidados paliativos, que visem apenas a deixar o paciente confortável.

"Médicos são formados para salvar pessoas. Mas quem trabalha com medicina intensiva tem de entender que, mais do que salvar o paciente, nossa missão é impedir que ele sofra", diz.

A pesquisa publicada na revista da Amib, coordenada pela médica Rachel Moritz, presidente do Comitê de Terminalidade da Amib, mostra que os profissionais brasileiros aceitam bem a ideia de não introduzir tratamentos inúteis em pacientes terminais, mas receiam suspender aqueles já em andamento - como desligar o aparelho de respiração ou de hemodiálise. "Do ponto de vista ético e legal, as duas situações são iguais. Mas, do ponto de vista sentimental, são diferentes tanto para o médico e demais profissionais, como para o paciente e sua família."

Comunicação. Rachel acredita que a saída para esses casos é a equipe conversar abertamente com o paciente e familiares e avaliar, individualmente, se a manutenção de determinado procedimento ou medicamento é benéfica ou não naquele momento.

A pesquisa mostrou, no entanto, que a maior dificuldade das equipes é justamente no quesito comunicação. "No passado, as equipes tomavam decisões sem falar abertamente com a família e as informações não eram colocadas no prontuário do paciente por receio de implicações legais. Isso não pode mais acontecer", diz Rachel.

Nas diretrizes elaboradas pela Amib, é ressaltada a necessidade de treinar a habilidade de comunicação das equipes, de promover reuniões multidisciplinares e de criar protocolos para a resolução de conflitos. Também se recomenda a documentação antecipada do desejo do paciente sempre que possível (mais informações nesta página).

"Em um momento em que surgem novas tecnologias para a manutenção da vida, essa iniciativa torna-se extremamente necessária", afirma o padre Leo Pessini, professor de bioética do Centro Universitário São Camilo.

Segundo ele, a dificuldade de reconhecer que existe um limite de investimento terapêutico é não só dos médicos, mas dos gestores das UTIs e dos familiares. "Se não tivermos essa sabedoria, toda a aparelhagem de cura acaba se transformando em instrumento de tortura", diz Pessini.

Fonte: Estadão
Edição: A.N.
16/05/2011
Comentários
  • Nenhum Comentario cadastrado

  • ADICIONAR COMENTÁRIO
    © 2004-2014 Medplan Assistência Médica. Todos os direitos reservados. Fale com o Medplan: (86) 3131-8888 | medplan@medplan.com.br Atendimento 24h: (86) 3131-0707 Informações: (86) 3131-8888 Rua Coelho Rodrigues, 1921 - Centro CEP 64000-080 TERESINA-PI