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GENÉTICA


Bebê geneticamente modificado preocupa

Chineses anunciaram que tentaram, sem sucesso, alterar os genes de 85 embriões, causando críticas de colegas

Publicada em: 27/04/2015



Cientistas chineses divulgaram que tentaram editar genes de embriões humanos. A técnica permitiria alterar permanentemente o DNA das células  -ou seja, as modificações seriam passadas para todas as gerações seguintes. Tais experimentos causam grande apreensão na comunidade científica, que aponta limitações de segurança e ética em tais procedimentos.

O caso chinês reforçou a noção do que mexer no DNA humano pode levar a mutações perigosas. Eles tentaram modificar os genes de 85 embriões. Em todos os casos, fracassaram: ou o embrião morreu, ou o DNA acabou não sendo alterado com sucesso.

"O estudo mostra que é preciso impedir qualquer profissional que acredite que pode erradicar doenças genéticas durante a fertilização in vitro", afirma George Daley, especialista em células-tronco de Harvard. "Esse procedimento não é seguro agora, e talvez nunca seja."

David Baltimore, biólogo molecular do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e ganhador de um Prêmio Nobel, afirma que o experimento mostra "como esta ciência ainda é imatura".

A grande preocupação dos pesquisadores é que as pesquisas sigam ocorrendo, especialmente em lugares como a China, e que elas acabem originando bebês geneticamente modificados. Isso poderia acontecer muito antes de que houvesse debate e consenso sobre a segurança de tais procedimentos.

O que os cientistas da Universidade Sun Yat-sen tentaram fazer foi tentar "limpar" o DNA dos embriões de um gene que, quando passa por mutações, causa beta talassemia, uma doença hereditária que leva à produção anômala de hemoglobina no sangue. Eles não queriam produzir bebês, apenas testar a técnica.

O professor de biologia do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Rudolf Jaenisch afirma que, mesmo em casos de doenças genéticas graves, editar o DNA pode levar a problemas.

Ele cita o caso da doença de Huntington, que leva o paciente à falta de coordenação motora. Ela deriva de um único gene mutante herdado - e, se o paciente tem esse gene, a chance de desenvolver a doença é de 100%.

Mesmo nesse caso extremo, afirma Jaenisch, há problemas éticos. Se o pai ou mãe tiverem a doença de Huntington, apenas metade dos embriões gerados por eles a herdarão. O problema é que o procedimento para alterar o DNA, excluindo o gene defeituoso, tem de começar cedo, bem antes de ser possível saber se aquela versão do gene é mutante.

Isso significa que, em metade dos casos, o gene seria alterado sem necessidade. "Para mim, é inaceitável mexer em embriões normais", afirma Jaenisch.

Dois artigos recentes nas principais revistas científicas do mundo trataram do tema.

Na "Science", um grupo de pesquisadores pediu uma moratória a pesquisas nesse campo. Na "Nature", Edward Lanphier, da empresa de biomedicina Sangamo Biosciences, da Califórnia, lembra que eventuais barbeiragens genéticas seriam herdadas pelos descendentes dos "bebês mutantes" criados. "Com as tecnologias atuais, os resultados são imprevisíveis."

Fonte: Folha de S. Paulo
Edição: F.C.



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