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06 de Maio de 2008 - Mais Por Você

Má alimentação na gravidez traz risco de filhos obesos

Quem nunca ouviu falar que uma mulher grávida come por dois? Nos dias atuais, essa citação não tem mais relevância, já que é de conhecimento geral que o importante é comer bem e não muito durante a gestação.

Alimentação da gestante deve ser variada e fracionada
Alimentação da gestante deve ser variada e fracionada

Mas um novo fator pode fazer as futuras mães se preocuparem ainda mais com os alimentos que consomem. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sugere que grávidas que comem gordura trans tendem a ter filho obeso.

A autora Luciana Pisani, do Departamento de Fisiologia da Unifesp, explica que o estudo foi realizado entre janeiro de 2004 a agosto de 2007. A idéia surgiu depois que ela leu pesquisas sobre a relação entre a alimentação materna e o desenvolvimento fetal e pós-natal.
   
Para investigar o assunto, algumas ratas gestantes foram submetidas a dietas controladas, enquanto outras receberam alimentos com gordura vegetal hidrogenada, rica em ácidos graxos trans. A gordura trans é utilizada nos alimentos para aumentar o sabor e ajudar na resistência, mas também pode elevar a quantidade de colesterol ruim no organismo, sendo um fator de risco para problemas cardiovasculares.

Após a amamentação, os animais foram divididos em quatro grupos. O primeiro contava com mães que tiveram dieta controlada e filhos que mantiveram essa alimentação até a idade adulta. O segundo também continha mães com dieta controlada, mas seus filhotes passaram a consumir gordura trans até se tornarem adultos. O terceiro grupo era formado por mães e filhos que comiam alimentos com gordura trans. E o último foi formado por mães que se alimentaram com gordura trans, mas seus filhos tiveram uma dieta controlada.

Como resultado, os filhotes das mães que ingeriram gordura trans apresentaram, no início da idade adulta, um aumento de adipocinas relacionadas à síndrome metabólica. Adipocinas são hormônios que correm pelo sangue e agem na ingestão de comida, na sensibilidade a insulina, no gasto de energia do corpo e na resposta do sistema de imunidade.

A adipocina é uma proteína com propriedade inflamatória, que pode causar resistência à insulina, o que ocasiona diabetes. Isso significa que o risco do desenvolvimento de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares aumentou nos filhotes de mães que se alimentaram com gordura trans.

Também ocorreu elevação de gordura corporal e de eficiência metabólica, ou seja, esses ratos comeram menos e tiveram maior gordura corporal. “O interessante desses resultados é que foram independentes da dieta do filho durante a vida, pois houve o mesmo efeito no grupo dos filhos de mães que receberam dieta trans e passaram a receber dieta controlada desde a lactação até a idade adulta”, explica Pisani.

Ainda não há estudos semelhantes em seres humanos e, de acordo com a pesquisadora, eles são necessários para verificar seu efeito. Mas o teste feito em ratos serve de alerta para as gestantes, que precisam se preocupar com aquilo que consomem.

“Elas devem procurar uma dieta balanceada, rica em frutas e verduras, com a presença de carboidratos, proteínas e pouca gordura. Devem dar preferência à gordura mono e polinsaturada, encontradas em peixes, frutas oleaginosas e azeite de oliva”, diz a pesquisadora. Ela lembra também que as grávidas devem evitar frituras, fast-food, cookies, bolachas recheadas, batata-frita e salgadinhos, pois esses alimentos são ricos em ácidos graxos trans.
 
É importante consumir leites e derivados por causa do cálcio, que será importante na formação óssea do feto. Também é preciso consumir ferro, pois pesquisas mostram que em torno de 30% das gestantes brasileiras apresentam anemia.

O ferro é encontrado em carnes, leguminosas, feijão e verduras de cor verde. Sua melhor absorção ocorre quando ele é consumido junto com vitamina C, como limão e laranja. O ácido presente nessas frutas cítricas ajudam a transformar esse ferro em uma forma melhor para ser absorvido no organismo.

No geral a dieta de uma gestante não é muito diferente da alimentação de uma pessoa adulta comum. É importante apenas que ela seja variada e fracionada. A realização de cerca de cinco refeições por dia, em menor volume, pode evitar que as futuras mães tenham náuseas e enjôos.

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Fonte: CyberDiet
Edição: F.C.
06.05.2008

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