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22 de Outubro de 2007 - Entrevista

Boni: ‘Casamento duradouro com a publicidade’

O publicitário Bonifácio Cândido da Cunha Neto é o nosso entrevistado na Seção Retrato 3x4, onde ele fala da sua paixão pela publicidade e dos desafios da carreira, além de suas outras paixões, como a jardinagem.


O publicitário Bonifácio Cândido da Cunha Neto, 46 anos, ou simplesmente Boni como é mais conhecido, tem um casamento duradouro com a publicidade e se destaca no mercado local como um dos profissionais mais criativos e talentosos da área. Irmão de um conhecido marketeiro, o empresário Silvio Leite, não deixou a fama do irmão ofuscar seu brilho, pelo contrário, reconhece a importância da convivência profissional com Sílvio no ‘burilamento’ da sua forma de trabalhar. “O Sílvio é muito disciplinado e profissional. Aprendi bastante com ele, mas tenho minha própria forma de trabalhar”, observa.

Natural de Martins, no Rio Grande do Norte, Boni veio para Teresina no ano de 1991 para trabalhar na Sucesso Publicidade, a convite de Sílvio. Naquela agência trabalhou durante 16 anos. De lá partiu para enfrentar um novo desafio pessoal, em março deste ano, na SA Propaganda.

Sua bagagem profissional foi alicerçada em Belém, capital paraense, local para onde seu pai levou toda a família em 1971. “Meu pai era comerciante e tomou uma corajosa decisão de sairmos de Martins. Eu tinha 10 anos quando nos mudamos e me criei em Belém. Vim para Teresina em 1991 a convite do Silvio Leite para trabalhar na Sucesso Publicidade. Nessa empresa fui superintendente de criação. Quando da minha vinda para o Piauí, foi o período que a Sucesso passou por uma organização, profissionalizando-se. Quase sempre estive no mesmo cargo”, relembra Boni.

Ele observa que à época em que se mudou para Belém, a capital paraense era como Teresina hoje, com população em torno 800 mil habitantes. “Fomos morar na parte antiga da cidade, em um bairro tranqüilo e tínhamos como vizinhança um colégio Salesiano, o Nossa Senhora do Carmo. Acabei ganhando uma bolsa de estudos lá e que fez toda a diferença em minha formação. Fiz vestibular para jornalismo em 1980 (cursando de 80 a 83). Fiz vestibular para História e cursei de 83 a 87. Larguei os dois cursos e fui trabalhar com publicidade em uma agência chamada Mendes Publicidade, que é referência nacional”, conta.

Portal Medplan – Então conte como foi sua entrada para o mundo da publicidade?

Boni - Em Belém, a Mendes publicava periodicamente anúncios em jornais chamando para estágio na empresa. Eles não queriam currículo, mas uma carta na qual o candidato à vaga precisava se vender. Participei duas vezes respondendo a esse anúncio e da segunda vez eles me chamaram e fui fazer estágio. O ambiente da empresa era tudo muito novo para mim, vivia 24 horas ligado naquilo, com papel e caneta sempre no bolso para anotar as idéias. Com um mês que estava na agência fui efetivado. Desde pequeno lia anúncio em jornal, eu copiava o estilo, acompanhava a linguagem há muito tempo. Entrei na empresa como redator de anúncios para jornal, revista e outdoor, eram as mídias mais fortes.

Portal Medplan - O fato de ter um irmão conhecido na publicidade local atrapalha ou ajuda?

Boni – Inicialmente no grupo Claudino, pode até ser que tenha atrapalhado, pois tendiam a achar que eu era protegido. Considerando a capacidade do Sílvio, para mim foi um desafio, pois buscava me superar. Depois as pessoas souberam distinguir o trabalho dos dois. Profissionalmente, a convivência com o Silvio foi muito importante para mim, pelo profissionalismo dele.


Portal Medplan - Para você, o que é criatividade?

Boni
– O grande desafio da atividade é comunicar de forma diferenciada, que desperte a atenção, respeite as pessoas e atinja o objeto do anunciante. A propaganda tem de ser não apenas bonita, mas tem de evocar os interesses do anunciante. Nosso desafio é ser criativo com pouca verba. No nosso mercado somos criativos por isso. Buscamos soluções simples equacionando todos esses pontos.

Portal Medplan - Como é o momento de criação? É verdade que é bastante angustiante?

Boni - Para criar temos que ter compreensão global do problema do cliente. Com as informações na mão procuramos os ‘starts’ para a criação. Quando se é mais novo pensa-se que não vai atingir a criação, com o tempo vai se caminhando naturalmente para ela. Mas uma coisa é certa: não cai do céu. Em geral é um processo difícil, doloroso de escrever e reescrever. O criativo é a pessoa com percepção além do normal. Existem percepções que outras pessoas não vêem. Nesse processo influi ter sensibilidade, informação e não estar fechado para nada.

Portal Medplan - Que conselho você daria para as novas gerações de publicitários?

Boni – Antigamente, quando se entrava na área nunca era por dinheiro. Quando entrei na Mendes não perguntei quanto ia ganhar e quando vim para a Sucesso foi a mesma coisa. Sabia que tinha um projeto a longo e médio prazo. Procure primeiro o trabalho, depois o salário, para você mostrar seu valor e ser disputado pelo mercado.

Portal Medplan – Em sua opinião o que define um bom profissional da área?

Boni
- As qualidades técnicas e os valores que ele precisa ter, como ética. Deve ter um bom relacionamento com os clientes, ser uma pessoa confiável.

Portal Medplan - Se você fosse apontar o pior defeito da publicidade piauiense e o melhor, quais seriam?

Boni – O pior é má formação do mercado. Tivemos um erro de origem da publicidade, veículos não respeitam agências, o mercado mistura agência com produtora e o cliente não sabe diferenciar as duas coisas. Considero que o mercado piauiense nasceu há uns 10 anos. E a melhor coisa é o fato de que a nova geração tem preocupação com qualidade, em estruturar o negócio e formar o cliente, além disso, não ficar na dependência do Governo.

Portal Medplan - Como tem sido lidar com a entrada da Internet nas mídias não tradicionais? Já temos boas criações nessa área no mercado local?

Boni – Em termos de Internet ainda estamos aquém. Não temos bons fornecedores, mas será inevitável, pois a tendência é que as mídias se misturarem (multimídia) e também pelo advento da TV digital.

Portal Medplan - Em Teresina os empresários já despertaram para o aproveitamento, por exemplo, de rádios na internet, como as que as grandes redes de farmácia já utilizam, inclusive, com anunciantes e uma programação específica?

Boni – Poucos despertaram. É uma mídia barata e interessante. O rádio é um veículo versátil, assim como o papel e é difícil acabarem com ambos. Esse panorama fortalece o rádio em plena era da imagem. No Piauí o rádio precisa ser reinventado.

Portal Medplan - Em nosso Portal fazemos podcasts sobre saúde e qualidade de vida, qual sua opinião sobre esse tipo de trabalho?

Boni – Os portais do grupo do Medplan geram bons conteúdos, são renovados e há interatividade. São questões básicas para manter o interesse. Os portais funcionam como suporte para o próprio cliente. Acho a iniciativa louvável.

Portal Medplan - Qual tem sido a contribuição das faculdades de comunicação social na formação de publicitários para o mercado local?

Boni – Cumpre uma função sim. O profissional chega ao mercado com referência, mas deveriam fazer mais laboratório. No início do curso deve mostrar que a publicidade é multidisciplinar, e não apenas criação. Deveriam orientar os alunos dessas possibilidades. Eles chegam às agências com a idéia que publicidade é só criação.

Portal Medplan - E quando você não está trabalhando, qual é os eu passatempo preferido?

Boni – Tenho um sítio que gosto de ir aos final de semana trabalhar duro. Se não fosse publicitário seria jardineiro. Meu lazer é cuidar do jardim, moro em casa e também cuido do jardim da residência.

Portal Medplan – Há algum tempo o Governo do estado cogitou fazer as escolhas das agências de publicidade pelo preço, e não pela qualidade de carteira das agências. Qual sua opinião sobre isso?

Boni - Nosso Trabalho é difícil de mensurar. Acho que deve ter a preocupação de economizar, mas escolher pelo preço pode ter um custo bem maior na imagem, por exemplo. Eu não compraria pelo preço, mas pela qualidade e que ia dar bons resultados.

Portal Medplan – E como foi a decisão de sair da Sucesso, onde você passou 16 anos?

Boni – Foi por uma questão de achar que já era hora de renovar. Estava em um lugar que tinha sucesso, em situação confortável. Eu estava no topo, ganhava bem, tinha respeito. Mas estava precisando de desafios novos. Me reposicionar no mercado, conhecer novas pessoas. Isso é fundamental para a nossa atividade. Tem que ter coragem para tanto, mas foi um processo progressivo e tranqüilo. Eu já tinha parceria com a SA Propaganda e continuo mantendo um ótimo relacionamento com a Sucesso.

Curtas...

Nome: Bonifácio Cândido da Cunha Neto

Apelido: Boni

Idade: 46 anos

Hobby: jardinagem

Livro: Cito bons autores. Gosto de Mário Quintana, Machado de Assis, Jorge Luís Borges.

Música: Não sou muito musical, ouço o que tiver rolando

Um lugar no mundo: Teresina

Uma atividade: Publicidade

Família: É a base de tudo. Sou muito ligado a ela e me programo em função dela

Prato preferido: feijão

Vaidade: Não tenho

O que você seria se não fosse publicitário: Jardineiro

Mensagem: Respeitar a diferença da individualidade para uma convivência tolerante e paciente. Isso significa respeito.

Por Adriana Cláutenes Lemos

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