Seu Cornélio: uma memória viva de Teresina
Ele chegou a Teresina em 1939 para estudar e aqui construiu sua vida no comércio. Foi contador, dono da loja Tupã, onde vendia ‘de um tudo’ - como ele mesmo diz - e está há mais de 40 anos no ramo de lanchonete, constituindo-se em uma memória viva de Teresina. Esta simpática figura é Cornélio Evangelista da Costa, 86 anos, natural de São João dos Patos (MA), mas que já se considera um teresinense de coração.
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| Comunidade no Orkut, homenagem ao Seu Cornélio |
Afinal foi na capital que estudou, conheceu sua esposa Adélia Salomão da Costa – de quem é viúvo - teve seus três filhos e adquiriu a fama de fazer o pão de queijo mais gostoso da cidade. E foi justamente através dessa iguaria - de fazer babar- que Seu Cornélio tornou-se um personagem bastante conhecido na cidade. Atualmente ganhou até comunidade no Orkut que é ponto de encontro no mundo virtual daqueles que já freqüentaram e freqüentam a lanchonete Mary Lucy ou daqueles que pretendem conhecer o famoso pão de queijo.
O nome da lanchonete, conta seu Cornélio, é uma homenagem às duas filhas que teve. “É metade do nome de uma e metade do nome da outra”, diz. O estabelecimento está localizado na Avenida Antonino Freire, em uma esquina de onde se enxerga a Praça Pedro II, ícone da cidade e de onde seu Cornélio tem boas lembranças. Ele conta que o local onde está à lanchonete era sua residência no passado. Foi com o crescimento da cidade que ele decidiu se mudar para um bairro mais afastado.
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A lanchonete é uma espécie de mini-museu, onde ele guarda com carinho louças do tempo em que sua mulher comandava o negócio e de quando vendiam, além do pão de queijo e refrigerante, sorvetes e também recebiam encomendas de salgados para festas. “A receita do pão de queijo é da família de minha mulher, ela fazia todos os tipos de salgados”, lembra.
No local há recortes de matérias nas quais seu Cornélio e seu pão de queijo foram personagens, placas e certificados em homenagem a ele pela atuação no comércio e a frente do CRC (Conselho Regional de Contabilidade) do qual foi presidente três vezes, fotos de família e da mulher, de quem ele diz não esquecer nunca. A aparência da lanchonete é a mesma há décadas e seu Cornélio faz questão de não mudar. “Meus netos e genros já propuseram reformar, mas quero deixar como estar. As pessoas gostam é dessa tradição”, diz ele lembrando que tem hoje o trabalho como terapia.
E foi entre uma fornada e outra de pão de queijo, que Seu Cornélio recebeu a reportagem do Portal Medplan para um bate-papo recheado de boas lembranças.
Portal Medplan – Como o senhor se sente sendo uma figura que é referência para Teresina?
Seu Cornélio – Muito satisfeito, acho que esse carinho das pessoas comigo é um reconhecimento da minha família. Por conta do pão de queijo sou muito conhecido na cidade. Ele dominou Teresina (risos).
Portal Medplan - Por qual motivo o senhor, até hoje, mantém o mesmo visual da sua lanchonete e só vende pão de queijo e refrigerante?
Seu Cornélio – Porque não quero mais correr, pois a luta é pesada. Hoje tenho a lanchonete como uma terapia e gosto de fazer tudo da forma tradicional. A receita do pão de queijo é uma tradição da minha sogra, Rosa Murad Salomão, que passou para minha esposa. Meus netos e genros me perguntam por que eu não faço uma reforma na lanchonete, mas acho que as pessoas gostam é da tradição.
Portal Medplan – A receita do pão de queijo ainda é a mesma ao longo desses anos todos?
Seu Cornélio - Ainda é a mesma. O principal ingrediente é o trigo e em 30 minutos está pronto.
Portal Medplan – Nesses mais de 40 anos que o senhor está aqui, o que o senhor viu mudar nesse sítio histórico da Pedro II que mais lhe agradou, e aquilo que o desagradou?
Seu Cornélio – Aqui mudou tudo. A reforma que fizeram aí na praça ficou parecida com o que era, mas idêntica não ficou. Tinha uns arbustos que na base eram adornados por bolas de gude, que refletiam a luz. O prefeito da época era Lindolfo Monteiro. Quando eu morava aqui, essa área era toda residencial, em frente era a casa do Bartolomeu Vasconcelos, ao lado tem o casarão da Genu Morais, que ainda hoje mora aí, a casa tem até porão. Lembro também de duas ‘moças velhas’ que moravam nessa região.
Portal Medplan – Quais as boas recordações que o senhor tem dessa época?
Seu Cornélio – Lembro dos passeios na praça, ia muito ao cinema, ao Cine Rex e ao Cine São Luiz, onde é a barbearia Kennedy. Ao Royal só iam os bagunceiros (risos), era o “poeira”. Eu ia também muito às sorveterias.
Portal Medplan – O senhor preparou algum de seus filhos para lhe suceder no negócio de Pão de Queijo? Pensa em se aposentar quando?
Seu Cornélio – A minha filha Maria Lúcia sabe o segredo da massa do pão de queijo. Ela se interessa por isso, então a continuidade vai ser com ela. Atualmente, quando há necessidade ela me dá uma mão na lanchonete.
Portal Medplan – Que boas histórias o senhor conta dos clientes?
Seu Cornélio – Todos são meus amigos, onde passo eles falam comigo. Tenho uma freguesia boa e que sempre retorna.
Portal Medplan – O senhor é uma figura de referência para Teresina. Mas para o senhor, quem é referência?
Seu Cornélio – Muitas pessoas, mas cito um conterrâneo: Seu Abraão, que é conhecido pelo seu suco.
Portal Medplan – Em termos de lugar, qual é referencia pra o senhor, fora sua lanchonete?
Seu Cornélio – O bairro Socopo, onde moro. O clima lá é bom.
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Curtas.....
Nome: Cornélio Evangelista da Costa
Idade: 86 anos
Prato Preferido: Churrasco. Como até panelada, mas claro que não é todo dia.
Defeito: Não sei dizer qual é
Qualidade: Honestidade, mas isso nem é qualidade. Sou uma pessoa sincera.
Teresina: É a cidade que amo de coração. Conheço o Brasil quase todo, mas Teresina é a cidade que gosto.
Lição de Vida: O trabalho é meu tônico. Trabalhei a vida toda, estou com 86 anos e não sinto velhice.
Por Adriana Cláutenes Lemos
20.07.2007



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