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20 de Abril de 2009 - Artigo

Enxergando o futuro

Muitas empresas que eram exemplo de excelência no passado caíram no erro de acreditar que já conheciam todos os caminhos.


Certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente. Assim, logo ao cair, nadou até a borda do copo. Como a superfície era muito lisa e suas asas estavam molhadas, não conseguiu escapar. Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou-se, parou de se debater e afundou. Sua companheira de infortúnio, apesar de não ser tão forte, era tenaz e, por isso, continuou a se debater e a lutar. Aos poucos, com tanta agitação, o leite ao seu redor formou um pequeno nódulo de manteiga no qual ela subiu. Dali, levantou vôo para longe.

Tempos depois, a mosca tenaz, por descuido, novamente caiu num copo, desta vez cheio de água. Como pensou que já conhecia a solução daquele problema, começou a se debater na esperança de que, no devido tempo, se salvasse, como da vez anterior. Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira, ofereceu ajuda. A mosca tenaz respondeu: “Pode deixar que eu sei como resolver este problema.” E continuou a se debater mais e mais até que, exausta, afundou na água e morreu.

Quantas empresas você conhece que se enquadram na situação acima? Lembra da Mesbla, do Banco Nacional, das Casas Buri, da Brastel e de tantas outras que eram cases de excelência no passado? Onde estão agora?

O ser humano (lembre-se que empresário também é ser humano...) infelizmente é escravo da memória. Tende a repetir as atitudes e comportamentos que geraram sucesso e a bloquear aquelas que, na época, não deram certo.

 Pergunte a quem está saindo de um casamento conturbado quando será a próxima “experiência nupcial”. As respostas invariavelmente são: -“Nunca mais me caso, Deus me livre”. Este é um exemplo claro de escravidão da memória. As experiências ruins de certa forma bloqueiam a possibilidade das novas. Assim se passa na empresa. Muitas vezes um planejamento estratégico mal elaborado, uma consultoria que não atingiu seus objetivos ou qualquer fato que deixe marcas negativas na sua memória é suficiente para a perigosa generalização. Coisas do tipo: “planejar é besteira”, “consultor não ajuda em nada” e outras barbaridades que geralmente ouço pelo Brasil afora.

Outro dia estava fazendo uma Palestra em Campina Grande, na Convenção Lojista da Paraíba, e contei uma estória que ilustrou este tema. Aos 6 anos de idade, em almoço familiar, fui obrigado a comer quiabo. Naquela época era assim, não havia essa mordomia de escolher a comida que a garotada tem hoje. Comi e detestei. E prometi que não o faria nunca mais na vida. Passei os 30 anos seguintes sem comer do bendito quiabo, até que um dia, visitando amigos no nordeste, fui homenageado com um jantar onde o prato principal era caruru – camarão com quiabo. Sem querer ser deselegante, comi o quiabo e, pasmem, gostei. Concluí que foram 30 anos preso a uma experiência negativa, sem me permitir experimentar o novo e o renovado.

Da mesma forma acontece com as experiências positivas. Gostamos de repeti-las sem antes analisar os ambientes interno e externo e sua viabilidade, o que é extremamente perigoso. Frases como “time que está ganhando não se mexe” e “aqui na empresa sempre fizemos assim” têm cada vez mais atrapalhado a luta das Organizações pela inovação e pela excelência. Empresários e profissionais acomodados, esperando um primeiro fracasso para só então tomar as atitudes de mudança necessárias são situações infelizmente ainda comuns. Caso você, leitor, não se enquadre nestes exemplos, esteja certo de que já possui parte do tão cobiçado diferencial competitivo, essencial para seu sucesso profissional e pessoal.

Por Jorge Maurício Reis
Da JMC Consultoria e Educação Corporativa


Fonte: Administradores.com
Edição: Clarissa Poty
20.04.2009

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