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01 de Abril de 2009 - Artigo

Oscar também para o coadjuvante

Boa parte do êxito do líder se deve a quem está atrás, menos visível, porém eficiente. A segunda posição é tão valorizada que certas organizações criam treinamentos específicos para cargos coadjuvantes


Preste atenção: nos programas humorísticos, há sempre um comediante que prepara toda a piada para que um outro, geralmente mais famoso, conclua e arranque risos – e aplausos – do público. Por ficar em segundo plano, o chamado escada nem sempre tem a mesma popularidade do astro principal, mas isso não quer dizer que ele seja menos importante. O que seria de Didi sem o Dedé? E do Magro sem o Gordo?

No mundo do trabalho, isso também ocorre, e os jovens precisam ter consciência de que nem sempre eles serão os líderes de seu grupo. Essa descoberta pode ser frustrante, especialmente porque a cultura ocidental tende a valorizar demais as estrelas, e os coadjuvantes são sempre menos importantes.

Basta que se avalie a passagem do piloto Rubens Barrichello pela Ferrai, criticado por ficar sempre à sombra do alemão Michael Schumacher, foi graças a essa estratégia que a Ferrari conseguiu, entre 2000 e 2005, ser vitoriosa por cinco anos consecutivos no campeonato mundial de construtores, em que se conta o somatório de pontos de todos os pilotos da equipe. E, de quebra, Barrichello sagrou-se como o segundo melhor piloto de Fórmula Um por três vezes.

Em artigo do jornal espanhol Expressión, Plácido Fajardo, sócio da agência de recrutamento de executivos Leadrs Trust, assegura que “uma boa parte do êxito do líder se deve a quem está atrás, menos visível, porém eficiente”. Ele faz questão de destacar que a figura do segundo nem sempre é a daquele que não pôde chegar a ser primeiro e que, por isso, é um profissional frustrado. “Às vezes, quem desempenha o papel coadjuvante realmente prefere isso”, diz Fajardo, detalhando que essa posição é relativamente mais cômoda, menos exposta e serve de refúgio às inclemências que o líder tem de enfrentar.

A segunda posição é tão valorizada que certas organizações criam treinamentos específicos para cargos coadjuvantes. A matéria do periódico espanhol exemplifica o caso com o programa da Goldman Sachs, que prepara seus candidatos à co-direção, para dar-lhes mais experiências em comum.

Assim, quando fizer parte de um grupo de estagiários e, naturalmente, um ou ooutro se sobressair – não sendo você -, saiba que isso não é o fim do mundo ou a garantia de que a efetivação não virá. A palavra de ordem deve ser sempre eficiência, profissionalismo e autoconfiança; afinal, o Oscar também vai para os coadjuvantes.

Fonte: Revista Agitação
Edição: Allisson Bacelar
01.04.09
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