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08 de Maio de 2008 - Atualidade

Mãe que trabalha demais: transformando trabalho em casa e casa em trabalho

Precisamos aprender equilibrar e entender o que é essencialmente do trabalho e o que é de casa. Esquecer as distrações e focar nas tarefas com o máximo de perfeição, querendo melhorar mais e mais.


Tudo começou, no início dos anos 90, com o surgimento dos home-offices. Uma ideiazinha até que prática para quem queria estar perto dos filhos, da rotina da casa e, ao mesmo tempo, ligada no trabalho. Adivinha com quem esse papo pegou incrivelmente? Com a mulheres, claro.

Mães culpadas pela ausência e massacradas pelo famigerado terceiro turno, doidas para conseguir conjugar na primeira pessoa do singular o verbo conciliar. A venda de computadores, impressoras, scanners, fax e PABX chegaram aos píncaros da glória nessa época.

Mas o tempo passou, e esse formato mais enlouqueceu do que as beneficiou. Prevaleceu a máxima, adaptada para uma forma literal – onde se come a carne não se ganha o pão.

No final da primeira década dos anos 2000. Com os 90 já quase virando duas décadas atrás (!!!), afirmamos, sem nenhum medo de errar: estamos todos muito atrapalhados.

Você está no trabalho? observe ao seu redor e veja como todos estão confortáveis. Percebe? Ninguém tem pressa de ir embora. É sexta? Happy hour com os colegas. Já que o trânsito é péssimo, melhor almoçar pelo escritório mesmo. E os colegas passam a se tornar mais interessantes.

Casamentos acontecem com mais freqüência no ambiente de trabalho do que no barzinho. Descasamentos também. Já que ficamos tanto no trabalho, porque não fazê-lo parecer nossa casa?

Trazemos para cá nossos objetos queridos, fotos, nossas coisas se acumulam em cima do computador.

Quando acordamos de manhã e vamos para o trabalho, esperamos encontrar lá toda a carga de afeto e aceitação que não estamos encontrando em mais nenhum outro lugar. A coisa que mais nos prova o quão importante somos – o quanto ganhamos – também vem de lá.

Precisamos aprender equilibrar e entender o que é essencialmente do trabalho e o que é de casa. Esquecer as distrações e focar nas tarefas com o máximo de perfeição, querendo melhorar mais e mais.

Daí chegamos na autodisciplina - a habilidade de disciplinar a si mesma. Isso requer responsabilidade, objetivos claros, regras e métodos. Podemos usá-la em todas as áreas de nossa vida, mas, certamente, a quem mais exige esta capacidade é a profissional.

Desenvolva a habilidade

Para aprender como desenvolver a autodisciplina, seguem dicas importantes que podem ajudar:

- Primeiramente, reflita: Quanto de seu tempo você tem dedicado a atividades regulares ou disciplinadas? Você tem praticado exercícios físicos com freqüência, pelo menos? E na última semana, fez algo que visasse seu crescimento profissional? Separou parte de sua renda à poupança ou a algum investimento? Se você está deixando essas coisas de lado, não dando importância ou apenas dizendo a si mesmo que realizará tudo "mais tarde", a autodisciplina está precisando seriamente ser trabalhada...

- Aprenda a valorizar e a organizar seu tempo. Esse é um dos princípios básicos das pessoas autodisciplinadas. Vivemos em função do tempo; portanto, faça com que ele fique a seu favor. Isso só acontece quando você controla seus horários e estipula os períodos em que fará cada coisa que precisa fazer. Assim, você não estará subordinada ao tempo - e sim ele a você.

- Gerencie, também, suas contas. Se você está sempre se afogando em dívidas, algo está errado... E para se livrar disso, só mesmo um "choque" de autodisciplina. Tentar organizar as finanças, aprendendo a ter cautela nas compras, anotando e fazendo planilhas de gastos e controlando o orçamento é essencial para o início de um relacionamento saudável e disciplinado com o dinheiro.

- Estabeleça prioridades. Mesmo que você precise fazer mil coisas ao mesmo tempo, tente formar uma ordem ou hierarquizar blocos de tarefas para não se perder. Centralize seu trabalho no que é mais importante e naquilo que possivelmente gerará mais resultados. Mais do que isso: pense em duas ou três áreas de sua vida que considera as mais importantes. Defina o tipo de disciplina que precisa desenvolver para continuar melhorando em cada área e elabore um plano para que essas ações adquiram periodicidade.

- Enfrente e elimine qualquer tendência de apresentar "desculpas" para suas falhas e fracassos. Se você apresenta um monte de razões para justificar a falta de disciplina, observe que elas não passam de desculpas. Se deseja progredir, você precisa enfrentá-las, consertar os erros. Anote os motivos pelos quais você não foi capaz de cumprir o que pretendia. Mesmo que um motivo pareça legítimo, encontre uma solução para superá-lo.

- Mantenha a disciplina, mas cultive certa flexibilidade. Não seja refém de agendas e de compromissos que deixaram de agregar valor a sua vida.

Mas lembrem-se: nada de exageros, ok?


Fonte: Pais e Filhos/ Bolsa de mulher
Edição: F.C.
08.05.2008

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