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27 de Janeiro de 2012 - Qualidade de Vida

Metabolismo dos esportes

Exercícios físicos melhoram atividade celular e ajudam a evitar doenças crônicas.


Além de nos ajudarem a manter a forma, exercícios físicos parecem desempenhar um papel importante na prevenção de doenças crônicas como o diabetes. Um novo estudo mostra como a atividade em nível celular pode estar nos mantendo saudáveis quando nos exercitamos. O processo em questão é a autofagia — mecanismo celular de reciclagem de componentes internos —, que ajuda a manter as células ágeis e capazes de se ajustarem às diferentes necessidades energéticas e a condições nutricionais.

Em camundongos, os exercícios estimulam a aceleração da autofagia em músculos do coração e no esqueleto. O novo relatório, publicado on-line pela Nature, descreve como essa autofagia adicional pode ajudar a inibir a resistência à insulina (precursora do diabetes).

Para chegar a essa conclusão, a equipe de pesquisa liderada por Congcong He, do Southwestern Medical Center, da University of Texas, comparou camundongos geneticamente modificados (para que não alcançassem o nível extra de atividade autofágica) com camundongos normais e analisou as consequências da prática de exercícios e de uma dieta com elevado teor de gordura.

Os resultados mostraram que os animais modificados ganharam um pouco mais de peso devido à dieta rica em gordura e mostraram-se um pouco menos ativos do que seus colegas do outro grupo. Embora os camundongos normais tenham apresentado maior resistência à insulina após se exercitarem e, assim, tenham se tornado menos propensos ao diabetes, os roedores mutantes não induzidos à atividade autofágica extra não parecem beneficiar-se dos exercícios.

"Nossas descobertas comprovam que exercícios são um poderoso indutor de autofagia", escreveram os pesquisadores. "A indução de autofagia pode contribuir para os efeitos metabólicos benéficos das atividades físicas", concluem eles.

A equipe também descobriu que essa autofagia celular é em parte controlada por determinada proteína, a BCL2, que, segundo relataram outros pesquisadores, desempenha um papel fundamental na morte celular. A manipulação dessa proteína "pode ser uma estratégia lógica para imitar os efeitos de exercícios para a saúde e para prevenir ou tratar a metabolização insuficiente da glicose", sugeriram os pesquisadores.

Evidentemente, um longo caminho precisará ser percorrido para encontrar um tratamento análogo para o diabetes em humanos. A nova descoberta é apenas uma das muitas pistas recentes que os cientistas reuniram, num esforço para compreender melhor os exercícios e como seus efeitos bioquímicos podem ajudar a prevenir doenças metabólicas. Na semana passada, outra equipe de pesquisadores anunciou a descoberta do irisin, um novo hormônio induzido por exercícios em humanos e camundongos que parece ajudar a queimar calorias extras e também melhorar a sensibilidade à insulina.


Fonte: Scientific American Brasil
Edição: F.C.
27.01.2012

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