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03 de Setembro de 2010 - Frutas e verduras

Jovens comem menos que o recomendado

Adolescentes comem menos frutas e verduras que o recomendado. Estudo com 812 jovens revela que só 6,4% ingerem as 400g diárias recomendadas pela OMS


Um estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP envolvendo 812 adolescentes com idades entre 12 e 19 anos na capital paulista constatou que apenas 6,4% deles consumiam 400 gramas ou mais de frutas, legumes e verduras por dia, valor mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Dos entrevistados, 22% não comeram sequer uma fruta, verdura ou um legume no dia da avaliação.

“Há sempre a ideia de que o adolescente come muito mal, porém, não tínhamos dados para confirmar essa hipótese, pensávamos que havia um exagero nas afirmações. Mas os dados levantados são piores que o esperado”, afirma a nutricionista Roberta Bigio, responsável pela pesquisa.

Roberta afirma que esse número é alarmante e aponta, ainda, outros dados preocupantes: 71,6% dos entrevistados consumiram em média 70 gramas por dia de frutas, verduras e legumes. “Essa quantidade é muito abaixo do mínimo necessário. Quando se fala em comer pelo menos 400 gramas por dia, isso quer dizer que o adolescente deveria, no mínimo, comer um prato raso de salada de folhas como alface, uma porção de cerca de 80 gramas de hortaliça cozida, como cenoura, e três frutas de porte médio durante o dia, como uma banana ou maçã”, exemplifica.

A pesquisadora alerta que o baixo consumo afeta o valor nutricional da dieta dos jovens, o que pode resultar em complicações a curto e longo prazos. Roberta diz que algumas vitaminas encontradas nesses alimentos são antioxidantes, como C, A e E, e que a falta delas pode levar a vários problemas, como doenças cardiovasculares e câncer. “Além disso, frutas, legumes e verduras são produtos de baixa caloria, e os adolescentes os substituem por produtos altamente calóricos, podendo levar a excesso de peso e outras doenças decorrentes”, completa.

Variáveis

No estudo, também foi analisada a relação do consumo de frutas, legumes e verduras com a renda per capita e a escolaridade dos pais dos adolescentes. Percebeu-se que essas variáveis influenciavam no consumo, que aumentou nas categorias de maior renda e maior escolaridade do chefe da família. A pesquisa não aborda as causas dessa relação, mas Roberta levanta uma suposição: quanto maior a renda, maior é o alcance para consumir um tipo de alimento considerado mais caro.

Além disso, a pesquisadora comenta que há pessoas que moram longe de feiras ou outros lugares que vendem frutas e verduras, "sem contar as que não compram nada além do que ganham na cesta básica". Quanto à escolaridade, Roberta lembra que quem tem melhor instrução tem um entendimento maior da importância desses alimentos.

 

Fonte: Agência USP
Edição: F.C.
03.09.2010

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