Cresce número de mulheres que têm filhos aos 40 anos
O motivo da decisão de ser mãe mais tarde é o mesmo em qualquer classe social. A carreira profissional ainda é o fator responsável por empurrar a maternidade para o futuro, afirmam os médicos.
A funcionária pública Maria Aparecida Alves Ferreira caminha devagar. Não pode correr o risco de perder o bebê que carrega há sete meses. Ela tem 44 anos e uma gravidez de alto risco: “Pode ter sangramento a qualquer momento, tem que ficar de repouso, é uma cirurgia mais arriscada”.
Maria Aparecida foi mãe pela primeira vez aos 22 anos e agora, aos 44, terá o segundo filho. Nesse longo intervalo na maternidade, ela cuidou da carreira profissional. Fez faculdade de administração de empresas, virou funcionária pública e começou uma segunda faculdade de serviço social.
“Hoje tem uma tecnologia muito grande, que me deixa mais tranqula”, comenta a funcionária pública.
Essa tendência de ser mãe depois dos 35 anos já era costume entre as mulheres de classe média alta. Mas agora começa a se tornar cada vez mais frequente entre famílias de baixa renda. No Hospital das Clínicas de São Paulo, que presta atendimento gratuito à população, 21% das gestantes têm mais de 35 anos.
“Ela casa, continua a trabalhar para depois de alguns anos, quando existe uma segurança financeira, quando o casal sente que está preparado, vai adiante para ter filhos”, diz o médico obstetra e professor da USP, Adolfo Liao.
A gestante com idade superior a 35 anos tem um risco maior de desenvolver diabetes, hipertensão e ainda mais: a chance de uma menina de 20 anos ter um filho com síndrome de Down é de uma em mil casos. Aos 35 anos, essa proporção passa a ser de uma para 250. Aos 40 anos, de uma para 70 casos.
Apesar dos riscos, a mudança de comportamento entre as mulheres parece a cada dia, mais consolidada.
“Esse é um grupo que continua crescer e que é uma característica que é inevitável do perfil da nossa sociedade, moderna e trabalhadora, isso sem dúvida é uma coisa que veio pra ficar”, aponta o professor de obstetrícia da USP Adolfo Liao.
De acordo com os médicos, a taxa de bebês nascidos prematuramente também é mais alta em casos de gravidez tardia - chega a 15%, por causa de complicações como diabetes ou hipertensão.
Apesar de toda a preocupação com a gestação depois dos 35 anos, os médicos afirmam que é possível ter uma gravidez tranquila.
Fonte: Bom Dia Brasil
Edição: F.C.
27.04.2010



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