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05 de Março de 2010 - Atividade Física

Pesquisadores concluem que jogar bola traz benefícios para mulheres

Os resultados do trabalho indicam que o futebol – e talvez outros jogos com bola – é um método de treinamento efetivo na diminuição da fraqueza dos ossos que chega com a idade.


As prováveis melhorias observadas na densidade mineral dos ossos, força e equilíbrio postural atribuíveis à típica pelada do fim de semana são de particular interesse para um enorme grupo de mulheres, e também para homens mais velhos, revela Peter Krustrup, professor adjunto da Universidade de Copenhagen e o coordenador de um projeto que estuda a prática do futebol como uma forma de melhorar as condições de vida e evitar riscos de quedas e fraturas, tendência que aumenta com a idade como resultado de ossos mais frágeis, menor capacidade de equilíbrio e de utilização da força muscular.

Os resultados do trabalho indicam que o futebol – e talvez outros jogos com bola – é um método de treinamento efetivo na diminuição da fraqueza dos ossos que chega com a idade.

Um estudo de aproximadamente quatro meses, no qual mulheres entre 20 e 47 anos treinavam futebol duas vezes por semana, mostrou melhorias marcantes na densidade dos ossos da tíbia esquerda e direita das praticantes.

Além disto, treinos de futebol mostraram elevação da massa muscular na panturrilha, além do aumento de força e equilíbrio. Uma intervenção de 16 meses no mesmo grupo estudado mostrou que um treino de futebol prolongado para mulheres que ainda não chegaram à menopausa e nunca treinaram eleva a densidade mineral dos ossos de todo o corpo.

As mulheres que participaram do estudo nunca haviam jogado futebol antes, o que significa que todos podem se beneficiar com o esporte. Curiosamente, os efeitos de treinos de longo e curto prazos na densidade mineral dos ossos foram melhores para jogadores de futebol do que para um grupo semelhante de corredores e para um grupo de controle inativo.

– Durante treinos e jogos de futebol, os jogadores desempenham várias corridas, giros, chutes e faltas – afirma Krustrup. – Esta combinação de ações ajuda a alcançar um impacto variável nos ossos que parece fornecer um estímulo melhor para a mineralização, se comparado a corridas.

Pouco treinamento

Jogos de futebol entre times pequenos e com duração de uma hora, de duas a três vezes por semana, por 12 semanas, para homens que não treinam na faixa dos 20 a 40 anos também resultaram em melhorias significantes na massa muscular e na massa dos ossos da perna, enquanto não foi encontrado efeito algum para o grupo de controle inativo.

O equilíbrio postural também aumentou. Em um estudo posterior sobre efeitos do futebol de longo prazo nos homens, foi demonstrado que 64 semanas de treinos têm um efeito adicional na massa muscular e na densidade mineral dos ossos.

Estes efeitos foram observados mesmo quando a intensidade dos treinos foi diminuída significantemente. Depois das primeiras 12 semanas, a frequência de treinamento foi apenas de 1,3 vezes por semana, indicando que uma quantidade relativamente pequena pode, mesmo assim, afetar a força dos ossos em um período maior.

O grupo de pesquisas também examinou a função dos músculos e o equilíbrio postural em um grupo de homens na faixa dos 65 a 75 anos, que jogaram futebol recreativo por quase toda a vida, e comparou os valores com um grupo de homens da mesma idade sem treinamento específico, e um grupo de homens de 30 anos que não costuma treinar.

– A pesquisa mostra que homens de 70 anos que jogaram futebol por quase toda a vida de forma recreativa têm um bom equilíbrio e força muscular, equivalente a homens de 30 anos que nunca treinaram e muito melhores do que os de seus contemporâneos que não treinam – conta Krustrup.

Como exemplo, em um teste de equilíbrio em uma perna, o idoso que nunca treinou caiu duas vezes mais do que o idoso que treina e homens mais novos que não treinam.

Dado os resultados impressionantes, um grupo de 50 pesquisadores de sete países, liderado pelos professores Peter Krustrup e Jens Bangsbo do Departamento de Exercícios e Ciências do Esporte da Universidade de Copenhagen na Dinamarca, já possuem planos específicos de examinar o efeito do futebol em outros grupos de pacientes, como de pessoas com diabetes do tipo 2 e câncer.

O grupo de pesquisa também planeja outros estudos sobre os efeitos de longo prazo do futebol nos estágios preliminares de osteoporoses, na pressão sanguínea alta para homens e mulheres de meia idade, e também os efeitos cardíacos e musculoesqueletais do futebol na juventude.

Uma colaboração planejada com uma rede social internacional de pesquisadores da Inglaterra, Itália, Portugal e EUA, entre outros países, irá examinar os efeitos cardiovasculares e musculoesqueletais do futebol e outros jogos com bola como basquete, handebol, voleibol e floorball – um tipo de hóquei – em crianças sedentárias acima do peso e idosos sedentários.

 

Fonte: Jornal do Brasil
Edição: F.C.
05.03.2010

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