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12 de Fevereiro de 2010 - Genética

Gagueira é um problema genético, aponta estudo

O problema seria provocada por distúrbios metabólicos que afetam a função cerebral.


Durante centenas de anos, a ciência nunca conseguiu desvendar as causas da gagueira. Mas um estudo inédito pode abrir caminho para desmistificar o curioso hábito de repetir ou prolongar os sons, sílabas ou palavras, que interrompe o fluxo normal da fala. Estima-se que 1% dos adultos tenham ao menos algum indício do problema.

De acordo com uma pesquisa divulgada no New England Journal of Medicine, cientistas do Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios de Comunicação (NIDCD, sigla em inglês), dos Estados Unidos, identificaram três genes defeituosos que podem explicar o problema da gagueira em algumas pessoas.

Batizados de GNPTAB e GNPTG, esses dois genes estão ligados ao metabolismo celular. O problema acontece quando há uma desordem metabólica que provoca o um acúmulo de uma substância potencialmente perigosa que pode causar problemas em quase todas as áreas do corpo, incluindo o cérebro.

Este processo é conhecido cientificamente como desordem de depósito de lipomossomo. Segundo o estudo, quando há dois desses genes com defeito, ao menos um está associado com a gagueira. Sendo assim, o problema seria provocada por distúrbios metabólicos que afetam a função cerebral.

Um terceiro gene defeituoso, que está intimamente relacionado com os outros dois, também foi identificado entre os gagos, mas os cientistas não souberam precisar essa relação.

O estudo avaliou dezenas de famílias com casos de gagueira e milhares de indivíduos isolados, gagos ou não, nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Paquistão. Em quase um de cada dez doentes examinados foram identificados uma mutação em pelo menos um dos três genes.

"Este é o primeiro estudo que identifica mutações genéticas como a causa potencial da gagueira. Deste modo, poderemos caminhar para desenvolver novas opções para o tratamento", explica James Battey, chefe do NIDCD.

Um potencial tratamento que está sendo analisado pelos médicos consiste na injeção de uma enzima fabricada em laboratório. Normalmente, essa enzima é produzida na corrente sanguínea, mas, no caso dos gagos, ela é inexistente.


Fonte: Vírgula
Edição: F.C.
12.02.2010

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