Excesso de peso da mãe pode trazer problemas para o feto?
A recomendação é clara: as gestantes obesas não devem ganhar mais do que cinco quilos na gestação, como forma de garantir a saúde da mãe e do bebê. Em muitos casos, o ganho de peso pode até ser nenhum, segundo nova orientação feita pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos a partir de uma pesquisa que está sendo feita nos EUA chamada Mães Saudáveis, com o objetivo de evitar o ganho de peso na gestação. Segundo a pesquisa, 1/5 das grávidas americanas são obesas, conforme reportagem publicada no "New York Times".
- Gravidez é o que a gente chama de o momento de aprender, um período em que a mulher está desejando ter mudanças comportamentais positivas. Porque acredita que as mudanças são importantes para a sua saúde e para a saúde do bebê - explica Kathleen M. Rasmussen, professora de nutrição de Cornell, que lidera o comitê de ganho de peso na gravidez do Instituto de Medicina.
Enquanto muitas mulheres param de fumar ou beber na gravidez, explica Kathleen, "3/4 das gestantes que estão com sobrepeso ou obesas ganham peso além das recomendações médicas".
As mulheres envolvidas na pesquisa vão ter encontros, individuais, duas vezes por semana, com um médico, especialista em dietas. Vão também participar de reuniões com grupos de apoio, conduzidos por especialistas. Elas serão encorajadas a seguir uma dieta de baixas gorduras, com ênfase em frutas, vegetais e grãos, resultando num consumo de cerca de duas mil calorias diárias.
Se isso parece uma medida drástica, muitos especialistas argumentam que as mulheres precisam de apenas 300 ou 400 calorias por dia para suportar a gravidez. Embora algum ganho de peso seja normal, por causa das mudanças no corpo, além do peso do feto, da placenta e do excesso de fluidos, um número significante de mulheres não ganha peso durante a gravidez e consegue atravessá-la de forma saudável.
- O ensinamento clássico, durante anos, foi de que se você está grávida, vai ganhar peso, e há toda a idéia de que a pessoa come por duas - explica a médica Kimberly K. Vesco, que conduz a pesquisa. - A verdade é que você tem que comer mais, só que não precisa ser muito mais.
Restrições na gravidez não são uma novidade: desde o século 21 e durante boa parte do século 20, as mulheres são avisadas que deveriam ganhar menos que nove quilos no período para reduzir os riscos de complicações durante o parto. Essas recomendações foram abrandadas nos anos 70 e 80, ao mesmo tempo em que as cesarianas se tornaram mais seguras e riscos do excesso de peso na gravidez foram descobertos.
Agora, com as taxas de obesidade em alta, os especialistas estão questionando os ensinamentos do passado. Eles querem saber se o excesso de peso da mãe pode trazer problemas para o feto - e, também, se isso pode levar a um aumento de obesidade entre os bebês. Em outras palavras, colocar um freio no ganho de peso na gravidez pode ser uma oportunidade de quebrar esse ciclo de obesidade.
Mas as implicações de uma dieta com restrições severas ainda não são totalmente conhecidas.
- É uma experiência. E precisamos de estudos assim para comprovar que se uma mulher controlar o ganho de peso na gravidez trará benefícios também para seu filho - afirma Kathleen, sobre o estudo de US$ 2 milhões, que recebeu financiamento do governo.
Estudos anteriores sugerem que mulheres obesas que limitam esse ganho de peso na gravidez podem ter uma gravidez e um parto mais tranquilos. Além disso, elas também terão que perder menos peso no pós-parto.
Mas há dúvidas também. A principal preocupação é com o fato de que mulheres que não ganhem peso acabem tendo que queimar gorduras extras para ganhar energia, produzindo compostos chamados cetonas, que podem ser danosos para o feto. Estudos já mostraram que os filhos de grávidas com maior quantidade de cetonas no sangue têm maiores chances de ter um QI baixo.
- Precisamos saber exatamente como tudo isso pode afetar os bebês - conta Naomi E. Stotland, pesquisadora da Universidade da Califórnia, em São Francisco.
Fonte: O Globo
Edição: F.C.
16.12.2009



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