Estresse na gravidez pode gerar filhos menos inteligentes?
A exposição a altos níveis de cortisol – conhecido como hormônio do estresse – durante a gravidez pode estar negativamente relacionada com as capacidades cognitivas do filho, independentemente dos atributos familiares que caracterizam o ambiente após o nascimento, segundo estudo recentemente publicado no International Journal of Epidemiology. Os resultados se alinham a estudos com modelos animais, que já apontavam evidências sugerindo uma ligação causal entre os níveis de cortisol materno na gestação e a evolução da prole.
Para analisar essa relação entre cortisol materno no fim da gravidez e o QI (quociente de inteligência) na infância, pesquisadores norte-americanos avaliaram as amostras de cortisol obtidas de grávidas no período entre 1959 e 1966; e a relação foi avaliada através de medidas na escala de Inteligência de Wechsler para crianças aos sete anos.
As análises mostraram que os níveis de cortisol materno estavam negativamente associados com a escala completa de QI – um efeito guiado pela pontuação verbal. O QI verbal de crianças no quintil mais alto de exposição foi 3,83 pontos mais baixo do que daqueles no quintil mais baixo de exposição ao cortisol.
Entre os pares de irmãos, o QI verbal foi 5,5 pontos menor entre aqueles nos quintis mais altos de exposição, em comparação com os outros quintis.
Porém, os resultados ainda são insuficientes para afirmar que o estresse na gravidez possa gerar bebês com menores capacidades cognitivas. Por isso, mais estudos são necessários para confirmar esses resultados e esclarecer os possíveis mecanismos implicados na relação.
Fonte: International Journal of Epidemiology
Edição: F.C.
15.12.2009



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