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27 de Novembro de 2009 - Genética

Células-tronco embrionárias reconstituem pele

Essa semana, um grupo de pesquisadores franceses, conseguiram uma nova revolução: produzir epiderme a partir de células-tronco embrionárias humanas.


Um dos grandes desafios da medicina tem sido a reconstituição de pele em pessoas que sofrem queimaduras extensas. Apesar de já se ter conseguido produzir pele a partir de enxertos obtidos da própria pessoa, uma das grandes limitações é o tempo que essas células levam para crescer e recobrir toda a área afetada, o que causa infecções e desidratação.

Essa semana, um grupo de pesquisadores franceses, liderados pelos cientistas Christine Baldeschi e Marc Peschanski conseguiram uma nova revolução: produzir epiderme a partir de células-tronco embrionárias humanas (CTEH).

O primeiro passo

O  primeiro objetivo desses pesquisadores era verificar se seria possível produzir “in vitro”, isto é, no laboratório, células-tronco de pele - chamadas queranócitos -  semelhantes às presentes na epiderme humana. Os queranócitos são responsáveis pela renovação constante da pele. É importante lembrar que a pele é formada de várias camadas e reconstituir todas elas não é tão fácil.

Esse foi o primeiro sucesso. Os cientistas franceses conseguiram transformar CTEH em células de pele combinando técnicas de biologia celular e meios de cultura com substâncias específicas capazes de induzir a diferenciação dessas células em queranócitos.

O experimento foi mantido por 40 dias que é o tempo que o embrião normalmente leva para formar a epiderme. Aparentemente foi esse o segredo. Imitar o que ocorre naturalmente no desenvolvimento embrionário.

Os pesquisadores isolaram então uma população de queranócitos que tinham todas as propriedades necessárias: capacidade de se renovar, de se diferenciar e formar as várias camadas da pele.

O passo seguinte

Era verificar se era possível formar pele “in vivo”, isto é, em modelos animais. Para isso os pesquisadores franceses, em colaboração com um grupo espanhol, transplantaram essas células em camundongos imunodeficientes, isto é, camundongos que não rejeitam células humanas.

Doze semanas após o transplante os camundongos tinham desenvolvido uma pele com as mesmas características da pele adulta humana. Um novo sucesso. Eles conseguiram provar que era possível transformar CTEH em epiderme in vitro e in vivo.

Quais serão as aplicações futuras?

Além das queimaduras graves que podem causar a morte ou lesões deformantes, existem inúmeras pessoas com doenças de pele que poderão se beneficiar. Por exemplo, ulcerações de pele são comuns em diabéticos.

Além disso, existem também doenças genéticas que podem ser muito graves como a neurofibromatose ou a epidermosis bullosa que aguardam ansiosamente tratamentos efetivos. Ainda serão necessários novos experimentos antes da aplicação em humanos devido ao risco de formação de tumores.

Mas, de acordo com a pesquisadora Christine Baldeschi, a vantagem da pele é que o experimento poderia ser monitorado de perto e se houvesse o aparecimento de um tumor ele poderia rapidamente ser retirado.

E as células reprogramadas IPS?

Em 2007 dois pesquisadores mostraram que células adultas - da pele por exemplo - poderiam ser reprogramadas e comportar-se como as embrionárias. Se um dia for possível transformar essas células em pele teremos, não haverá mais o problema da rejeição e nem a polêmica de utilizar células embrionárias.

Mas foi necessário observar o comportamento das células-tronco embrionárias humanas para o sucesso desse experimento. São elas que dão as diretrizes.

Muitos de vocês já devem estar se perguntando: e nas cirurgias plásticas? Ao invés de ter uma pele esticada, quem não gostaria de ter uma pele nova? Logo teremos um novo debate. Será ético usar células-tronco embrionárias humanas para fins estéticos?

 

Fonte: Veja Online
Edição: F.C.
27.11.2009

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