Sua cozinha é perigosa?
A relação do brasileiro com seu prato de comida está longe de ser saudável. No ano passado, 82 milhões de pessoas foram internadas com intoxicação alimentar e mais de 6 mil morreram no país por essa razão. O número está entre os maiores do mundo – e se compara ao de países pobres da África, revela a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
“Saber o quê, em que medida e como consumir alimentos é um desafio mundial, de todas as classes sociais”, diz Jacques Diouf, diretor da FAO.
Quase metade das infecções por alimentos (48,5%) acontece dentro de casa: é o leite aberto há cinco dias na porta da geladeira, a comida que passou horas esfriando sobre a mesa e a faca “promíscua” que cortou os legumes, a carne crua e a assada.
No Brasil, não temos o hábito de etiquetar os alimentos abertos, com data da abertura e prazo de validade, prática comum em países europeus. Mas temos o vício de embalar tudo com papel filme: a maionese, os doces, os queijos, as frutas. “Nem todos são esterilizados e boa parte deveria estar na seção de papelaria”, diz Sérgio Motta, do Programa de Alimentos Seguros do Senai.
Ele também critica o uso indiscriminado do micro-ondas para esquentar alimentos prontos, como sobras de arroz e feijão. Motta explica que as bactérias se proliferam em temperaturas que vão de 10 a 60 graus célsius. “Ao aquecer alimentos a temperaturas amenas, podemos multiplicar os micro-organismos”, diz. O ideal, segundo ele, seria ferver novamente, em banho-maria.
Lavar ovos é proibido. A água ajuda bactérias como a salmonela a atravessar a casca porosa e chegar até a clara. Conservas caseiras, como molhos de pimenta, podem criar fungos se não estiverem totalmente embebidas em óleo e refrigeradas. A dica é ferver o molho – mesmo que pareça estranho – e depois resfriá- -lo rapidamente no freezer. A ideia é imitar o processo de pasteurização que acontece no leite.
A falta de informação também gera desperdício de alimentos. Mais de 30% de tudo o que é produzido no país acaba no lixo. As perdas começam na própria produção, passam pelo transporte, postos de distribuição e se acentuam na cozinha doméstica.
As sobras de arroz, feijão e carne não são reaproveitadas em outras receitas. E a parte mais nutritiva de verduras, legumes e frutas, como cascas e talos, que poderiam ser usados em doces ou enriquecer receitas comuns com fibras (como mostra a receita ao lado), é descartada.
As verdades da cozinha - saiba o que fazer para não contaminar os alimentos e jogar menos comida fora
- Microondas não servem para esquentar alimentos, só se for para fervê-los.
- Legumes cozidos guardados na geladeira, devem ser novamente fervidos antes do consumo. Esquentá-los à temperaturas amenas no microondas acelera a produção de bactérias.
- Leites e sucos de caixinha, duram até 6 meses nas prateleiras, após abertos, em 2 dias, mesmo na geladeira, tornam-se impróprios para o consumo. Mas são consumidos de forma perigosa por até 10 dias, diz a Vigilância Sanitária.
- O papel filme, em alguns casos, em vez de proteger os alimentos, pode contaminá-los. isso porque parte deles não é esterilizado. Esta informação consta sempre no rótulo. Na duvida prefira potes plásticos bem lavados e com tampa.
- Os legumes devem ir para geladeira ainda quentes e em vasilhas rasas. Resfriá-los rapidamente evita a ploriferação de micro-organismos que podem passar de 100 para 1 milhão em apenas 2 horas à temperatura ambiente.
- O brasileiro prepara mais comida do que pode consumir e joga boa parte no lixo. É possível reaproveitar alimentos cozidos em novas receitas como carnes e legumes, e trazer o que sobrou do restaurante para casa.
- A grande culpada pelo mal-estar depois do churrasco é a faca suja que passou por carnes cruas e assadas. O uso da mesma faca é uma prática comum e um poderoso agente transmissor de bactérias.
- O Brasil desperdiça 35% dos grãos e hortaliças que produz. Há perdas no produtor, nos postos de distribuição e na geladeira de casa. Cascas de frutas e talos de verduras que concentram boa parte dos nutrientes são descartados.
Fonte: Época
Edição: F.C.
02.07.2009




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