O papel da tomografia computadorizada no AVCI agudo nos dias de hoje
Nunca se falou tanto em acidente vascular cerebral isquêmico agudo como nos dias de hoje. Grande parte disso se deve a aprovação do uso de trombolítico endovenoso (rtpa) para pacientes tratados dentro de até 3 horas após o ictus. O interessante é que, ao contrário do que pensamos aqui no Brasil, ocorrem mais mortes por AVC que por causas relacionadas ao coração.
Com mais de 10 anos de uso deste trombolítico, seja arterial ou venoso, nos EUA, apenas 3 a 4 % dos pacientes que preenchem os critérios de inclusão passam por tal procedimento. Os problemas principais são os grandes números de transformação hemorrágica com o uso do trombolítico e a necessidade de se prolongar a janela terapêutica para além de 6 horas. As opções que têm surgido são:
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2 - A experiência crescente e os bons resultados da trombectomia mecânica com dispositivos que funcionam como verdadeiros "saca trombos", ainda não inteiramente disponíveis no Brasil.
Qualquer que seja o tratamento proposto é mandatório um exame de imagem, que na grande maioria das vezes é a tomografia computadorizada (TC), para incluir ou excluir este indivíduo do tratamento.
Os métodos de imagem devem responder a quatro questões básicas.
1. Existe hemorragia ou outra lesão que possa simular clinicamente um AVCI?
2. Existe obstrução vascular?
3. Existe tecido morto?
4. Existe tecido sob risco (penumbra)?
Respondendo
1 - Tanto a TC como a RM são excelentes para tal propósito, com alguma vantagem de um sobre o outro dependendo da literatura pesquisada.
2 - Procurar obstrução vascular na TC pode ser de duas maneiras, a primeira sem contraste e a segunda com contraste.
a. Sem contraste - procuramos o sinal da artéria cerebral média densa, que tem
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b. Com contraste - faz parte do nosso protocolo de AVCI agudo a realização de angiotomografia, onde analisamos as imagens raiz e procuramos pelo stop vascular (foto 2B ) além de processarmos estas imagens e conseguir uma angiotomografia 3D (foto 2C e 2D). Reparem que na figura 2 A existe artéria cerebral média densa esquerda.
3 - Existe tecido morto?
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Como procurar esta hipodensidade?
1- Se você está analisando a tomografia computadorizada em filme, concentre sua análise na profundidade dos hemisférios cerebrais. Nesta região note que existem cinco densidades que são as seguintes (figura 3):
I.......Insula
II......Cápsula externa
III.....Putâmem
IV.....Cápsula interna
V......Tálamo ou caudado
O local mais precocemente acometido pela hipodensidade são estas regiões,
2- Se você analisa o exame em PACS ou no console do aparelho, modifique a
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4 - Se existe tecido sob risco
Certamente precisamos da utilização do contraste iodado. Existem dois tipos de
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1- Perfusão cérebro total ou parenquimograma - consiste em aproveitar as imagens raiz da angiotomografia computadorizada, reconstruí-la de 3 em 3 ou de 5 em 5mm. (foto)
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A vantagem é que ela cobre todo o cérebro, é um equivalente do volume sanguíneo cerebral (CBV) e é um dos parâmetros que mais se aproxima do volume final do infarto na difusão de controle (figura 6).
2- Perfusão CT dinâmico - cobre-se apenas certa região do cérebro numa espessura
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que pode variar de 1 a 4 cm dependendo do seu aparelho. Consiste na aquisição de cerca de 40 cortes sempre no mesmo lugar, antes, durante e após a passagem do contraste, que é infundido em bomba a 4ml/seg. Estes dados são fornecidos a um software específico, que gera então mapas de CBV (volume), CBF (fluxo) e MTT (tempo). Veja na figura 7A, na fileira inferior o primeiro mapa (MTT) mostrando pequena área de retardo na passagem do contraste (pequena região
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Pode-se ainda realizar angiotomografia intra (figura 8) e extra craniana (figura 9) para afastar ou mostrar oclusão vascular.
Como percebemos, nos dias de hoje, é lógico que o método ideal para estudar o paciente com AVCI é a RM, contudo, estes pacientes não são submetidos a este exame por uma série de razões dentre elas disposição de aparelho, a maior intimidade do clínico com a TC e a crescente melhora dos aparelhos e softwares na TC. Com isso sabemos que a otimização da TC traz benefícios no estudo do AVCI, com performances muito semelhantes à RM.
Autor: Dr. Nelson Fortes Ferreira
Fonte: Application
Edição: Clarissa Poty
23.04.2007



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