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Como administrar pessoas difíceis (parte I)

As pessoas difíceis são tema de muitas obras literárias, pesquisas médicas, reflexões psicanalíticas, e manuais de gestão empresarial, além de serem figuras centrais em ações de divórcio, querelas trabalhistas, páginas policiais.

Segunda-feira, 10 de Março de 2008
Há vinte anos um jornalista carioca aproveitou um momento de glória – o irmão era, então, presidente da república, escolhido pelos colegas de uniforme, supondo eles que um devotado equinólogo seria um excelente guia de caravanas – e publicou um ensaio literário, com razoável sucesso. Explico melhor: o autor teve, com sua obra, algum sucesso. Já seu irmão, o general-presidente, não fez sucesso algum.

O tal livro, TRATADO GERAL DOS CHATOS, segundo um crítico maldoso, tinha sido inspirado na figura do General João Baptista Figueiredo, homem imortalizado pela frase: “Prefiro o cheiro dos cavalos ao convívio com esta turma aqui de Brasília!“ . Ivan Lessa (ou Jaguar, não lembro mais) decidiu a querela: “o livro é autobiográfico!“

A obra tratava de pessoas difíceis, tentando estabelecer uma classificação, a qual deveria facilitar a identificação precoce do chato, o que permitiria uma fuga rápida de seu ataque.

Ou seja, as pessoas difíceis são tema de muitas obras literárias, pesquisas médicas, reflexões psicanalíticas, e manuais de gestão empresarial, além de serem figuras centrais em ações de divórcio, querelas trabalhistas, páginas policiais, etc.

Aliás, os gregos já tentavam classificar o comportamento de seus semelhantes: Hipócrates pensava que o modo de agir de cada pessoa dependia do tipo de líquido que predominava em seu organismo - ele classificava os indivíduos em” sanguíneos” (temperamentos vivos, emotivos), “linfáticos” (pessoas lentas, frias), “biliosos” (coléricos, amargos), etc . Segundo ele, se ocorresse um desequilíbrio na distribuição corporal de um destes líquidos a conseqüência seria o imediato predomínio de uma daquelas características comportamentais: o indivíduo excessivamente “sanguíneo” tenderia a ser muito emotivo, com choro fácil e inclinação para um exagero na manifestação de suas emoções; já o cidadão que acumulasse um excesso de bile no organismo explodiria facilmente num acesso de cólera, agressividade e amargura ...

Mas, convenhamos, o homem é mesmo um animal difícil, pois além de devastar a natureza de maneira infernal (hoje uma espécie animal deixa de existir a cada 30 minutos, dizimada pelo homem) se multiplica a uma velocidade alucinante (a população mundial aumenta em 15 mil pessoas por hora), sem contar que é a espécie animal que mais aprecia eliminar seus semelhantes.

Assim, como administrar relacionamentos com pessoas difíceis?

No mundo empresarial a questão é muito delicada, pois muitas vezes uma pessoa difícil é competente, dedicada e eficiente do ponto de vista técnico, seu afastamento podendo representar uma grande perda de desempenho para o grupo do qual ela faz parte. Sem contar que às vezes a pessoa difícil é o próprio dono da empresa ...

Na vida familiar a questão também envolve complexidades, pois a pessoa difícil pode ser um marido, um irmão, enfim alguém com quem você tem laços afetivos fortes, e rompê-los seria uma experiência traumática.

Este texto é, portanto, dedicado àqueles que precisam aprender a administrar pessoas difíceis, pois não podem, ou não querem, simplesmente se afastar, fugir, livrar-se delas. Mas que também não desejam deixar-se enlouquecer no convívio com elas.

Mas, o que é uma pessoa difícil?

Como administrar pessoas difíceis (parte II)
Como administrar pessoas difíceis (parte III)

José Cerqueira Dantas
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